terça-feira, 2 de outubro de 2012


SUBINDO PELAS PAREDES
Márcio Medeiros

Ely, Lúcia, Malu, Tanya, quatro mulheres subindo pelas paredes.
Amor,
dor,
violência,
ternura.
Toda a alma feminina se revela nesta exposição que se desdobra a partir da figura do sapato, metáfora do feminino.
Sedução,
vaidade,
imposição,
dor:
seduz e machuca.
Caixas de sapato, gaiolas, grades, prisão.
Sombras prisioneiras projetam-se.
Subindo pelas paredes:
raiva, dor.
Quantos sentimentos espalhados pelo chão. O fetiche toma a forma do significado.
Pinta-se de vermelho ou prateado.
É de plumas ou de arame.
Desfila pelos salões ou fecha-se entre quatro paredes.

Force a abertura da Cortina.
Penetre no escuro.
Um pêndulo iluminado projeta luz. Descreve em belo poema este turbilhão de emoções.
Tente decifrar a alma da mulher.
Em que flor,
em que espinho,
em que sorriso,
em que grito,
em que luz,
em que escuridão ela se esconde.
Face plácida cotidiana de uma mulher. Ela se traduz na suavidade das imagens aqui expostas.
São delicadas,
são belas mas são cheias de dor e amor:
olhos de mulher.
Coloque seus sapatos vermelhos e dance.
Dance a aventura de ser mulher ou de viver ao lado de uma mulher.
Toda essa grandeza cobre uma sala, inunda o universo.
É vermelha como a paixão.
Tem marcas do cotidiano, dos afazeres cotidianos de uma mulher.
É sangue,
é coração.
Talvez ao final Ely, Lúcia, Malu e Tanya possam de mãos dadas cantar como Piaff: Non, rien de rienje ne regretterien. Nada, nada eu não me arrependo de nada.