SUBINDO PELAS PAREDES
Márcio Medeiros
Ely, Lúcia, Malu,
Tanya, quatro mulheres subindo pelas paredes.
Amor,
dor,
violência,
ternura.
Toda a alma feminina se
revela nesta exposição que se desdobra a partir da figura do sapato, metáfora
do feminino.
Sedução,
vaidade,
imposição,
dor:
seduz
e machuca.
Caixas de sapato,
gaiolas, grades, prisão.
Sombras prisioneiras
projetam-se.
Subindo
pelas paredes:
raiva,
dor.
Quantos sentimentos
espalhados pelo chão. O fetiche toma a forma do significado.
Pinta-se de vermelho ou
prateado.
É de plumas ou de
arame.
Desfila pelos salões ou
fecha-se entre quatro paredes.
Force a abertura da
Cortina.
Penetre no escuro.
Um pêndulo iluminado
projeta luz. Descreve em belo poema este turbilhão de emoções.
Tente decifrar a alma
da mulher.
Em
que flor,
em
que espinho,
em
que sorriso,
em
que grito,
em
que luz,
em
que escuridão ela se esconde.
Face plácida cotidiana
de uma mulher. Ela se traduz na suavidade das imagens aqui expostas.
São
delicadas,
são
belas mas são cheias de dor e amor:
olhos
de mulher.
Coloque seus sapatos
vermelhos e dance.
Dance a aventura de ser
mulher ou de viver ao lado de uma mulher.
Toda essa grandeza
cobre uma sala, inunda o universo.
É vermelha como a
paixão.
Tem marcas do
cotidiano, dos afazeres cotidianos de uma mulher.
É
sangue,
é
coração.
Talvez ao final Ely,
Lúcia, Malu e Tanya possam de mãos dadas cantar como Piaff: Non, rien de rienje ne regretterien.
Nada, nada eu não me arrependo de nada.