sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 2 de outubro de 2012
SUBINDO PELAS PAREDES
Márcio Medeiros
Ely, Lúcia, Malu,
Tanya, quatro mulheres subindo pelas paredes.
Amor,
dor,
violência,
ternura.
Toda a alma feminina se
revela nesta exposição que se desdobra a partir da figura do sapato, metáfora
do feminino.
Sedução,
vaidade,
imposição,
dor:
seduz
e machuca.
Caixas de sapato,
gaiolas, grades, prisão.
Sombras prisioneiras
projetam-se.
Subindo
pelas paredes:
raiva,
dor.
Quantos sentimentos
espalhados pelo chão. O fetiche toma a forma do significado.
Pinta-se de vermelho ou
prateado.
É de plumas ou de
arame.
Desfila pelos salões ou
fecha-se entre quatro paredes.
Force a abertura da
Cortina.
Penetre no escuro.
Um pêndulo iluminado
projeta luz. Descreve em belo poema este turbilhão de emoções.
Tente decifrar a alma
da mulher.
Em
que flor,
em
que espinho,
em
que sorriso,
em
que grito,
em
que luz,
em
que escuridão ela se esconde.
Face plácida cotidiana
de uma mulher. Ela se traduz na suavidade das imagens aqui expostas.
São
delicadas,
são
belas mas são cheias de dor e amor:
olhos
de mulher.
Coloque seus sapatos
vermelhos e dance.
Dance a aventura de ser
mulher ou de viver ao lado de uma mulher.
Toda essa grandeza
cobre uma sala, inunda o universo.
É vermelha como a
paixão.
Tem marcas do
cotidiano, dos afazeres cotidianos de uma mulher.
É
sangue,
é
coração.
Talvez ao final Ely,
Lúcia, Malu e Tanya possam de mãos dadas cantar como Piaff: Non, rien de rienje ne regretterien.
Nada, nada eu não me arrependo de nada.
SUBINDO PELAS PAREDES
| ely felber, lúcia misael, tânya simões e malu azevedo |
| lúcia misael, gabriela leirias e ely felber |
| querido joão henrique |
| meu amigo mauro da gazebo |
| fernando e Meggy curtindo a obra da ely felber |
| minha amiga e companheira angela gueno |
| a família prestigiando |
| marcelo , responsável pelas imagens. |
| filhos e sobrinhos |
| pedro atento aos detalhes. |
| feltro e cravo da india |
| agulhas de acupuntura e canutilhos |
| agulhas de acupuntura e canutilhos |
| cacos de espelho e linha de bordar |
domingo, 11 de janeiro de 2009
sábado, 10 de janeiro de 2009
Particolare
“Não sei se minhas palavras voarão,
não sei se quer se terão asas.
Só sei que elas estão dentro de mim
como uma casa dentro de outra casa.”
Marcos Tavares
Nesta mostra individual Lúcia Misael articula a metáfora particolare que se coloca como um trabalho cotidiano dentro de outro maior, de porte mensal ou anual, mas, sobretudo, vivencial. Como crônicas dentro de romances, partículas da vida comum se aliam a outras, construindo uma obra auto-referente, mas exemplar no sentido da compartilhação das emoções e dos sentimentos.
Particolare se divide em três movimentos:
O primeiro refere à fecundação.
Papéis com sementes desenhadas, moldagens com farinhas e outras matérias efêmeras formam os objetos desta instalação. A efemeridade serve aqui como metáfora da vida, do eterno-agora que gora ou sazoneia ovos e sementes. Embora a brancura sugira frigidez, os objetos expostos nesta sala podem ser chamados fertilidade.
Na parede um útero construído de folhas de papel contém o desenho de uma semente, como se fosse uma elegia ao vegetal. No piso, lajes de farinha de trigo moldada a seco contêm vagens carregadas de sementes, como ovários.
Útero e ovário: fábricas da vida.
O segundo movimento refere ao lar.
A história contada se desenvolve num trabalho cujo objetivo é a felicidade. A questão que se coloca é o amor incondicional.
Intitula-se Nove Luas. A instalação é composta por nove caixas de madeira projetadas a partir de um desenho sensível, meio lunar na sua sinuosidade, contendo cada uma trinta lâminas de cera de abelha moldadas na forma do perfil. Sobre elas Lúcia Misael interferiu como se escrevesse um diário, assentando seu cotidiano, anotando seu dia-a-dia. Assim, nos nove meses simbolizados ela representou a gestação de sua felicidade. O eterno feminino habita aqui: na paciência, mas também na dor; na estabilidade, mas também nas surpresas.
Nos cantos na sala quatro objetos podem ser chamados de amor incondicional. São quatro taças de cobre, cheias de mel de abelha numa quantidade calculada pela medida da massa líquida de seus dois filhos. São retratos de família vistos pelo ângulo da doçura.
O terceiro movimento evoca a morte, e ela se chama caverna do coração.
O coração é a caverna do corpo assim como a caverna é o coração da montanha. São trezentos e sessenta e seis pequenos vasos de cerâmica, cada um representando um dia do ano. Todos estão colocados em espiral sobre um tapete de cinzas do fogão de lenha de sua casa. A espiral da vida parece ser um retrato da espiral da fertilidade quando o óvulo completa seu ciclo e nasce. Ou morre.
Mais uma vez a perenidade dos óvulos e das sementes motiva sua criação. Ela pensa os vasos de cerâmica sobre a cinza da morte como se fossem óvulos do seu ovário, fragmentos dos ciclos férteis perdidos durante sua vida. Neste ponto ela fala como a Grande Mãe falando aos excluídos, não aos que morreram, mas aos que não nasceram.
Raul Córdula
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